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domingo, 25 de setembro de 2011

De onde vem o Chá de Bebê?

Segundo Getúlio, eis a explicação:

“Em uma época muito obscura, a Germânia vivia sob constantes ataques romanos, e os clãs derrotados pelo exército inimigo, refugiavam-se no meio da Floresta Negra. E lá, em uma tenda próxima do Rio Neckar, a líder do Clã Kutz encontrava-se grávida, a espera de um milagre.

Seu filho teimava em não vir ao mundo, o parto de, até o momento, 48 horas, parecia que ia terminar em tragédia. Mas foi aí que a mágica aconteceu, a velha bruxa e parteira do Clã decidiu realizar um ritual Wicca. Pegaram sete crianças de no máximo três meses de idade, colocaram todas em um grande caldeirão cheio de ervas, e após 1 hora de incrível êxtase, recolheram em um frasco um líquido amarelado proveniente do suor dos bebês.

A líder dos Kutz bebeu o elixir. Uma hora depois, o príncipe-guerreiro Adolf chorou, indicando que a mãe natureza havia completado seu ciclo. Deste dia em diante, criou-se o hábito das mulheres se reunirem para fazer o “Chá de Bebê”, como forma de ajudar a futura mamãe.”

- Verdade isso, Getúlio? – perguntou Chico pé-pé.

- Cumpadi, você já me viu dizendo alguma mentira por aí?

Autor: Eriol

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Esclarecimento aos Leitores

Chico pé-pé sumiu? Não vai mais escrever sobre ele? Cadê o companheiro do Getúlio? Hoje estou respondendo a todas estas perguntas com um novíssimo texto da série. O nosso carismático personagem está de volta, pronto para divertir a galera com suas histórias inusitadas. Abraços.

Lua de Sal

No Bar do Zeca, três “cabras” valentes estavam contando vantagem, era um tal de fiz aquilo que não tinha fim. A imaginação daqueles homens criava situações que até Deus duvidava, porém quem iria provar a veracidade?
- E foi assim que matei o espantalho amaldiçoado. – concluiu Miço vaidoso, bem na hora que Chico pé-pé adentrou o local.
- Noite peãozada... - os homens saudaram o caipira erguendo as suas canecas.
- Finalmente chegou alguém mais corajoso que a gente! – animou-se Geraldo.
- Junte-se a nós, companheiro. – falou João já puxando outra cadeira para mesa.
Chico parecia uma celebridade, sua presença despertou até mesmo os bebuns que beiravam o coma alcoólico.
- Com licença. - ele se juntou ao trio parada dura, enquanto todos aguardavam ansiosos.
- Bom... Eu tenho uma história para contar, mas não posso começar de bico seco. – disse o caipira fazendo charminho.
Todos olharam feio para o dono do bar, que imediatamente serviu a “branquinha”.
- Agora sim. – ele sorveu aquele néctar dos céus e sentiu suas idéias ficando no ponto. - Isto aconteceu quando eu tinha oito anos... – uma breve pausa para dar o suspense.

“... foi num dia de lua cheia, mamãe estava na cozinha e papai no cafezal. Eu brincava de escalar árvores, próximo de casa, quando um senhor de roupas rasgadas bateu em nossa porta. Do alto, pude vê-lo conversar com minha irmã caçula, mas não durou nem vinte segundos.
Resolvi descer e ir para dentro, estava curioso para saber o que o homem queria com a gente. Quando entrei em casa, ouvi mamãe gritar furiosa com Ritinha.
- Por que você não deu o sal?
- Desculpa, eu não sabia.
Fiquei um tempo na sala, até as coisas se acalmarem. Depois disso tudo, fui saber com Ritinha o que ela havia feito de errado.
 - Mas o que tem a ver o sal, mana?
- Mamãe disse que se não dermos o sal ao moço, à noite ele volta como lobisomem.
- Vixe, isto é sério?
- Você não viu como ela ficou brava?”

Os homens do bar estavam cada vez mais interessados pela história.
- Vamos, Chico. Continue...

“... passamos o dia normalmente, mas tudo ficou tenso quando anoiteceu. Nós três fomos para frente de casa esperar o retorno de papai. Ficamos felizes quando ele apontou na cerca são e salvo. Porém, sentimos um arrepio ao ouvir logo em seguida aquele uivo demoníaco.”

Chico pé-pé parou abruptamente, não podia acreditar no que via.
- Ora, Miço... tome tento... larga dos braços do Geraldo. Cê é homem ou um saco de batatas? - todos riram ao verem o primeiro valentão sucumbir.
- Vamos, amigo. Não ligue para eles, continue...

“Onde eu parei... Já sei. Quando ouvimos o uivo do animal, mamãe gritou desesperada:
- Antônio, corre pelo amor de Deus, o lobisomem tá atrás de você!
Ele se virou e avistou a uns cinqüenta metros de distância um bicho peludo, meio homem meio lobo, de garras afiadas, com horripilantes olhos verdes, vindo em sua direção. Papai saiu em disparada feito lebre quando foge da onça.
- Rápido amor, olha o bicho, pai cuidado... - nossas vozes se misturaram em um coro desorganizado.”

O clima foi quebrado mais uma vez.
- Tenho que ir embora. – falou João aparentemente preocupado e já se levantando.
- Mas você vai sozinho pela estrada? – perguntou Geraldo visivelmente abalado.
- É... não... vocês não vão comigo? – seus dois amigos balançaram a cabeça negativamente.
Geraldo precisava disfarçar, então deu uma desculpa esfarrapada.
- Acho que vou ficar mais um pouco para saber o final. – sentou-se de volta à mesa. - Chico, pode continuar... – risos contidos se espalharam pelo bar.

“Então vamos para o final... Meu pai conseguiu chegar antes do demônio, entramos em casa rapidamente, e trancamos todas as portas e janelas. Ficamos os quatro ajoelhados em frente de Nossa Senhora rogando proteção. Enquanto isso, o monstro correu pelo telhado, arranhou a porta de madeira sem parar e uivou tenebrosamente até amanhecer. Foi a pior noite de toda minha vida...”

Os expectadores estavam boquiabertos.
- E como vocês se livraram dele? – perguntou o dono do bar curioso.
- No outro dia, o mesmo senhor passou pedindo sal, mas desta vez nós não negamos.
- Hum... Chico, suas histórias são as melhores. – a peãozada concordava em grau e gênero.
Os três “cabras” valentes se levantaram e decidiram seguir estrada juntos. Despediram-se dos amigos, pagaram a conta... Mas quando estavam para sair, uma pergunta inesperada fez com que eles ficassem pálidos. No canto direito do salão, um homem maltrapilho se pronunciou:
- Ei rapazes... Vocês têm sal para me dar?

Autor: Eriol

Getúlio Está de Volta

Olá, queridos leitores. Getúlio está de volta em mais uma magnífica história, espero que vocês gostem do humor e da moral do texto. Abraços.

Respeite os Sinais

Uma cantada de pneu... um grande estrondo... e por fim o silêncio. Getúlio do seu galho de observação assistiu a um fato inusitado. Na estrada de terra, uma Ferrari tentou desviar de um buraco e acabou passando por cima de um porco-espinho, não precisa nem dizer o que aconteceu, o pneu ficou com mais buracos do que uma peneira.
De dentro da Ferrari, saiu um “boy” indignado com o celular na mão, esbravejando marimbondos para todos os lados. Completamente descontrolado, este começou a chutar a roda como se fosse um saco de pancada. Getúlio vendo a situação deprimente do rapaz decidiu ajudá-lo, antes que na sua raiva ele resolvesse morder o outro pneu, aí seriam dois os problemas.
- Boa tarde, moço. – falou o caipira de maneira gentil.
- Não tem nada de bom, cara. – respondeu o jovem de forma grossa.
- Precisa de ajuda? – uma pergunta óbvia, porém seguindo a boa etiqueta.
- Não vejo “ninguém” que possa me ajudar. – a falta de educação do rapaz atingiu o ápice. Neste momento, Getúlio se sentiu menor que o nada e menos que o zero.
- Bom, espero que “alguém” apareça. Até mais moço, passe na minha borracharia quando precisar. – Getúlio sabia que uma mentirinha não mataria ninguém.
- Espere um pouco... Desculpe a minha grosseria, acho que fiquei muito nervoso com a situação e acabei perdendo a cabeça. – sua voz ficou doce como mel.
Nosso homem do campo iria aplicar uma lição naquele “metido” da cidade.
- Tudo bem, mas irei ajudá-lo com uma condição?
- Qual?
- Se você acertar minhas três perguntas, ligarei para o guincho mais próximo. Porém se você errar... Terá que passar a noite com as onças pintadas. – Getúlio sabia que as onças não comiam carne de segunda, mas ver o medo estampado na face do moço era reconfortante.
- Seu desgraça... – o garoto teve que engolir seco. – Tudo bem, mas como você vai ligar se aqui não tem sinal?
O caipira tirou um celular-tijolo do bolso, três vezes maior que o do rapaz, mas que era capaz de realizar ligações até para o exterior.
- Mas isto funciona? – perguntou o “boy” incrédulo.
- Tecnologia do campo, moço. Com certeza já funcionou. – sua voz transmitia segurança e confiança. - Aqui tudo é mais potente, por acaso você já viu o casco dos nossos cavalos furarem? - Getúlio acabava de marcar o primeiro gol.
- Chega de papo, faça logo as perguntas. – o garoto estava impaciente.
- Lá vai. Quando um burro fala o outro... – Getúlio balançou a cabeça como se fosse para o rapaz completar.
- O outro... abaixa a orelha. – falou convicto da resposta.
- O que a sua ainda está fazendo em pé? – o homem do campo caiu na gargalhada.
O rapaz se controlou para não explodir, precisava do caipira sabido.
- Qual é a próxima? – o jovem queria acabar logo com aquilo.
- Você acertou a primeira. Não fique bravo com a brincadeira, nós já somos quase amigos. – falou ironicamente. – Pergunta número dois. Quantos caipiras são necessários para se trocar um pneu? – com a mão direita ele mostrava o seu indicador.
- Um. – o jovem suspirou começando a entender a situação.
- Muito bem, está certo. Agora a última. Quantos caipiras você está vendo aqui? – Getúlio abriu os braços fazendo uma reverência.
- Apenas você. – o garoto ficou triste pela sua atitude anterior.
- Bom, uma pena você ter errado. – Getúlio se virou para ir embora.
- Não... Eu acertei, só tem você aqui. – sua voz era de desespero, por ver sua única ajuda partindo.
- Moço, como você disse... Não vejo “ninguém” aqui. – agora já estava uma goleada, dez a zero para o caipira.
- Você tem razão, eu errei em subestimar sua capacidade. – seu arrependimento sincero fez Getúlio se comover.
- Não vai demorar... Já tem meia hora que liguei para o guincho. Logo eles estarão aqui e você poderá ir para casa. – o rapaz abriu um sorriso de alegria, ao mesmo tempo em que aprendera a respeitar aquele homem, simples e sábio.
- Obrigado, amigo.
- Eu disse que nós seríamos amigos.
Getúlio foi embora pela estrada contente por ensinar a um garoto o valor do respeito. Com isso, os homens nunca mais se esqueceriam de que no campo existem pessoas tão espertas e maravilhosas quanto na cidade.

Autor: Eriol

Chico pé-pé e Papai Noel

Este texto é uma mensagem de natal divertida e feita com muito carinho. Abraços.

Uma Lição de Natal

Era véspera de natal, Chico pé-pé sem tirar os olhos do relógio caminhava a passos largos pela estradinha de chão. Sorte sua possuir um coração de atleta, caso contrário teria "arriado as baterias" antes mesmo da primeira curva, visto a velocidade com que seguia para casa. Como sempre, estava atrasado para ceia da meia-noite e dessa vez não havia nada que pudesse livrar sua cara. No natal passado, Laurinda havia sido clemente com seu atraso, porém afirmou que se aquilo se repetisse, ela teria que lhe aplicar um castigo, ou seja, deixaria Chico pé-pé sem comer o delicioso peru de natal que tanto gostava.
Ao conferir os ponteiros, verificou que precisaria de mais quinze minutos para chegar a tempo, mas o "tic-tac" só lhe forneceria cinco. Chico pé-pé elevou seus olhos aos céus e pediu uma forcinha para o aniversariante.
- Querido Jesus, me ajude a chegar a tempo.
Sua fé foi tanta que milagrosamente apareceu no céu o contorno de um presépio, sem perder tempo Chico batizou de Constelação do Menino Jesus. E de lá, veio em sua direção um lindo trenó luminoso puxado por nove renas.
- Ho ho ho... - disse animado um velhinho de barba.
Chico pé-pé ficou encantado com a formosura do veículo, com certeza a crise global não atingiu a fábrica daquele senhor, pois o luxo empregado em cada peça era notável. As nove renas - Rodolfo, Corredora, Dançarina, Empinadora, Raposa, Cometa, Cupido, Trovão e Relâmpago - eram as responsáveis por colocar aquela raridade em movimento.
- Desculpa vovô, não me leve a mal, mas foi para Jesus que eu pedi ajuda. Acho que o senhor o conhece, ele possui barba também.
- Bom filho, eu sou o Papai Noel. Vim a mando de Jesus, sabe, ele é o patrão. Vou te ajudar a chegar a tempo em casa, mas antes temos que fazer umas pequenas entregas.
Chico pé-pé sentiu que se aceitasse a carona, o atraso seria inevitável. Porém, quando olhou para o relógio, o ponteiro estava parado em um minuto para meia-noite. A única coisa que pensou foi "eu não devia ter comprado no camelô".
- Não, Chiquinho. - há muito tempo ninguém lhe chamava assim. - O tempo está parado mesmo, como se fosse mágica. Sua fé sincera, ou pelo menos esta sua vontade verdadeira de chegar a tempo na ceia, fez com que o Chefe, lá de cima, me enviasse aqui para te dar uma carona.
Chico pé-pé ficou boquiaberto, será que estava delirando? Depois de alguns instantes, percebeu que não.
- Olha vovô, eu não conheço o senhor. Porém se Jesus mandou você aqui, é porque o senhor deve ser bom motorista, e dos rápidos.
- Muito bem, Chiquinho. Então, Suba a bordo. - Chico não sabia como um senhor de idade tão avançada conseguia ter tanta disposição.
Chico pé-pé subiu no trenó e em fração de segundos saíram cortando os céus na velocidade da luz. Aquilo era demais, nada no mundo era mais potente que aquelas renas, nem mesmo um fórmula 1.
- Aquela é a nossa primeira parada. - apontou o velhinho para uma casinha de palha.
 Na velocidade que estavam, Chico calculou que o trenó espatifaria o telhado em mil pedaços. Só que para sua surpresa, o Papai Noel puxou uma alavanca e instantaneamente o veículo parou. Nem ao menos cantou pneu, o mais interessante foi constatar que o nariz da rena-guia estava aceso na cor vermelha.
- É a luz de freio. - esclareceu o bom velhinho.
Nesta casa, o Papai Noel não deixou brinquedos, mas deixou um gostoso peru assado. As crianças ficaram felizes por terem o que comer, a cena tocou o coração de Chico, que lembrou nunca faltar o pão de cada dia em seu lar.
- Bom Chiquinho, tem coisas mais valiosas em nossa vida. - lição número 1.
A rena-guia apagou o nariz e eles saíram em disparada para o próximo endereço. Agora, esta outra residência já possuía uma aparência mais chique e o telhado era mais reforçado. Chico pé-pé ficou com muito medo na hora da aterrissagem, quando o trenó entrou em contato com o telhado, dessa vez não parou, deu uma pequena patinada e todos acharam que seria o fim. Mas tudo terminou bem novamente, eles pararam antes de acabar a pista de pouso.
- Esta foi quase, ho ho ho... - o vovô continuava a se divertir.
Chico pé-pé percebeu que eles só conseguiram pousar, graças às renas possuírem tração nas quatro patas. Nesta segunda casa, o bom velhinho apenas concertou o som da árvore de natal, um ato simples que alegrou o ambiente e despertou o sentimento de paz entre os presentes.
- Bom Chiquinho, tem coisas mais valiosas em nossa vida. - lição número 2.
Depois destas pequenas entregas, o Papai Noel deixou Chico em frente do seu lar doce lar.
- Bom Chiquinho, como eu prometi, trouxe você a tempo e o melhor é que ainda estamos um minuto adiantado. - piscou o velhinho de forma marota.
- Papai Noel, obrigado por tudo. Ah, agradece o Chefe por mim.
Papai Noel já se preparava para partir com as renas quando se lembrou.
- Chiquinho, eu tava esquecendo. Seu presente de natal.
- Mas eu pensei que a carona tivesse sido meu presente.
- Bom, tem outra coisa. Quando você entrar, você verá.
As renas saíram turbinadas em direção a Constelação do Menino Jesus.
- Chiquinho, tem coisas mais valiosas em nossa vida. Ho ho ho... - reforçou o bom velhinho aquela lição maravilhosa.
Com pressa, Chico pé-pé entrou em sua casa para saborear o delicioso peru recheado de Laurinda. Quando adentrou o recinto, viu sua família sentadinha no sofá conversando, mas nem sombra do peru.
- Oi meu amor, você chegou a tempo. Meus parabéns. - disse Laurinda.
- O que aconteceu? - Chico estava um pouco decepcionado pela mesa estar vazia.
- Foi uma pena, Chico. Eu nunca deixei isso acontecer, mas o peru queimou e estamos sem ceia hoje. Por milagre, apareceu agora a pouco um bolo de fubá em cima da mesa e estamos esperando você para comê-lo.
Chico ficou triste ao lembrar do peru tão gostoso que sempre comia nas noites de natal. Logo em seguida pensou melhor, e ao se lembrar das casas que havia visitado com o Papai Noel, percebeu que tudo o que ele podia querer estava ali, uma linda família - esposa e dois filhos - e ainda um delicioso bolo de fubá do bom velhinho.
- Você está triste? Não fiz por querer. - falou Laurinda preocupada.
- Não estou não, meu amor. Eu tenho vocês, o que mais posso querer?
Lá das estrelas, Jesus e Papai Noel sorriam felizes com mais um natal bem sucedido.

Autor: Eriol

Valeu Pessoal

Quero aproveitar o momento para agradecer a todos os elogios que temos recebido carinhosamente no orkut. Bom, hoje é dia de publicar as histórias de Getúlio e Chico pé-pé, por isso sem mais delongas apreciem uma situação de “outro mundo” vivenciada por Getúlio. Abraços.

Contatos de Terceiro Grau

A noite estava tão límpida que se podia ver claramente São Jorge a brincar com o dragão na lua. E Getúlio que era um assíduo amante e apreciador da natureza, aproveitava para confabular teorias a respeito dos corpos celestes. Em seu caderninho surrado, ele anotava todas as perguntas que lhe surgiam à mente, e estas iam desde saber se as Três Marias realmente eram irmãs até se a Via Láctea cheirava mesmo a leite. Porém, aquela noite traria grandes surpresas ao nosso “Galileu” do campo, uma revelação sobre vidas em outros mundos.
Por volta das duas da manhã, Getúlio viu uma grande luz cruzar rapidamente os céus. Aquilo lhe chamou a atenção, visto a velocidade com que passou o objeto sobre o local de observação. Será que era uma estrela-cadente? Bom, se fosse uma, a oportunidade de Getúlio fazer um pedido havia passado.
Dez minutos depois, uma luz ainda maior apareceu no céu, brilhava em cores distintas e resplandecia como um arco-íris.
- Minha Nossa Senhora, uma nave alienígena! – gritou Getúlio embasbacado.
Getúlio não podia acreditar no que seus olhos viam, um óvni pairava mansamente sobre o campo e preparava-se para pousar. Nosso homem do interior, em sua humildade, pensou em buscar ajuda já que a Terra estava sendo invadida. Porém, chegou a conclusão de que ninguém acreditaria nele, seriam céticos igual a Nasa e falariam que a situação não passou de um aparecimento momentâneo de um balão meteorológico.
Getúlio se escondeu atrás das árvores e ficou a observar que tipos de seres sairiam daquele meio de transporte oval. Com um pouso tranqüilo e eficaz, a nave desligou as luzes como se já estivesse posicionada de forma correta na vaga de um estacionamento.
De repente a porta da nave se abriu, dois seres magrelos e esguios saíram com um boné da Nike na cabeça. Aquela situação era inesperada até mesmo para nosso observador de mente aberta. Visto a cena, ele ponderou que os ET’s estavam fazendo contrabando de produtos da Terra, que nem ocorre do Paraguai para o Brasil, só que no caso deles era para Marte. Naquele instante, Getúlio achou melhor ficar imóvel e observar tudo o que eles fizessem.
Os seres espaciais realizaram algumas análises em flores e árvores, mas logo saíram e ficaram fora por mais de duas horas. Nosso observador do céu ficou esperando até que estes voltassem.
- Preciso fazer alguma coisa. Preciso salvar o nosso mundo. – Getúlio estava obstinado em enfrentar aqueles monstros.
Antes de amanhecer, os seres verdinhos voltaram. Estavam prestes a adentrar a nave quando o nosso salvador da Terra apareceu.
- Parado aí, seres de outro mundo. Chegou a hora de vocês, nunca mais farão mal ao nosso planeta Terra. – Getúlio parecia com aqueles mocinhos de filmes de cowboy prestes a salvar a donzela.
Os seres interplanetários ficaram assustados com a intervenção de Getúlio, mas de forma inexplicável soltaram uma gargalhada incontrolável ao ouvirem a declaração do nosso justiceiro.
- Homem da Terra, escute uma coisa. – Getúlio achou aquela reação estranha, mas resolveu ouvir.
- Você disse para nós pararmos de fazer mal ao seu planeta. Só que nunca fizemos algo de ruim para vocês. O verdadeiro inimigo da Terra é o próprio homem. Na ganância do capitalismo, o ser humano destrói a natureza através de diversos poluentes, sem dar o mínimo valor ao que é mais importante, a vida. – falou o verdinho número 1.
- Viemos aqui para ver se podíamos investir neste planeta, mas vocês estão em crise mundial e isto não seria bom para nossos negócios interplanetários. Bom, desculpe se fomos sinceros, mas os únicos a prejudicarem este “mundo azul” são os próprios homens. O verdinho número 2 completou.
- Foi um prazer conhecê-lo. – Despediram-se os homens espaciais, após o verdinho número 1 dar o seu boné da Nike de presente ao nosso atônito observador.
Getúlio desconsolado viu a nave partir para Marte e sentiu uma tristeza no coração ao constatar que nem mesmo seres evoluídos de outros mundos querem investir na Terra. E tudo isso, porque o homem não sabe valorizar o planeta que têm. Este encontro ensinou algo muito importante a Getúlio, o que adianta planejarmos um futuro se não estamos cuidando nem do nosso presente, se não valorizamos nem a nossa própria vida.
- Vida fora do planeta existe, mas será que aqui na Terra continuará existindo? – balbuciou Getúlio admirando as estrelas.

Autor: Eriol

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Cheguei em Sampa

Já estou em São Paulo, pessoal. Não se preocupem com as atualizações, pois estas continuarão normalmente.  Hoje, fiquem com mais uma aventura de Getúlio e Chico pé-pé. Abraços.

A Boca da Morte

Getúlio e Chico pé-pé estavam à beira do rio em uma pescaria emocionante, aquela em que o peixe dá uma fisgada no anzol a cada duas horas. Assim, não restava outra opção, a não ser jogar muita conversa fora e se hidratar constantemente com a “marvada”.
- Toda vez que venho pescar lembro da minha mulher Laurinda. – falou Chico pé-pé puxando prosa.
- Ora homem, mas o que tem a ver sua mulher com peixe? – disse Getúlio perdido com o assunto.
- Com peixe não, Getúlio. Tem a ver com as cobras que ficam no rio. – agora a confusão era geral.
- Você tá chamando sua mulher de jararaca? – perguntou maliciosamente Getúlio.
- Não fala isso, amigo. Eu amo minha mulher Laurinda. – Chico pé-pé concertou antes que desse um mal entendido. - Calma que vou contar a história desde o começo, aí você vai me entender.
“Há dois anos, eu participei de uma pescaria inesquecível com minha mulher Laurinda. Em apenas três horas, havíamos pegado mais de quinze peixes e o décimo sexto estava a caminho. Porém, senti uma puxada no anzol mais forte do que o comum, imaginei ser um peixe de quase cem quilos.”
- Cem quilos? Não é muito, Chico? – Getúlio ficou desconfiado.
- Meu primo já pegou um peixe de cento e cinqüenta quilos, amigo. – Chico pé-pé falou firme e convicto.
Getúlio sabia que o companheiro era o maior pescador das redondezas, por isso se ele falou, é porque é verdade.
- Continua a história, Chico. E o peixe?
“O peixe não era peixe. Tive a infelicidade de pescar uma jibóia de mais de vinte metros. O bicho agarrou o anzol e puxou com tanta força, que voei para o meio do rio.”
- Vinte metros? Acho que é digno de recorde mundial. E aí, o que você fez depois de cair no rio? – Getúlio estava empolgado com a história.
“Laurinda ficou desesperada, vendo que a cobra vinha em minha direção. Tentei nadar o mais rápido que pude buscando a margem, mas a correnteza me empurrou direto para boca do bicho. Meus olhos espantados admiravam a imensidão do monstro, nunca vi algo parecido nestas águas. A jibóia com uma boca gigantesca me comeu, não tive tempo de reagir, fui sugado pelo túnel negro da morte.”
- Pera aí, Chico. Se a cobra te pegou, não era para você está morto?
- Calma, Getúlio. Presta atenção, que ainda tem mais história.
“Depois do bicho me engolir, só pude sentir meu corpo escorregando por um tubo liso e úmido. Quando cheguei na barriga da cobra, achei os ossos do compadre José e uns bezerros ainda vivos. Achei que tudo estava perdido, deixaria a Laurinda viúva no dia mais feliz da nossa vida.”
- Bezerros vivos? – Getúlio estava amando a história do amigo.
- Bom, acho que a digestão das cobras acontece mais devagar.
- Como você saiu de lá?
“Do interior da Jibóia, eu ouvia minha mulher Laurinda chorando muito. Ela repetia direto que não saberia viver sem mim. Assim, resolvi que não poderia abandoná-la sozinha neste mundo. Procurei por qualquer coisa que me ajudasse a sair dali. Senti que a cobra buscava as profundezas do rio, eu precisava agir o quanto antes. Por sorte, encontrei minha “canivetinha” no bolso da calça. Com toda força que me restava, rasguei o coro do bicho e fugi das garras da morte certeira.”
- A jibóia morreu? – Getúlio queria saber o destino da cobra.
- Acho que não, meu amigo. O corte foi o bastante para fugir eu e um bezerro mais esperto.
- E Laurinda?
- Depois que nadei até a margem, vi Laurinda agachada soluçando na beira do rio. Sem pensar gritei o mais alto que pude. – Chico pé-pé aumentou o tom da voz. - Não chore, minha querida Laurinda. Eu estou vivo, meu amor.
Getúlio não era um homem sentimental, mas o romance daquela cena foi suficiente para lhe arrancar algumas lágrimas.
- Chico pé-pé, que história incrível. – disse Getúlio secando o rosto.
- Bom, meu amigo. Geralmente, histórias da vida real são mais emocionantes.
Manteve-se um silêncio após este comentário filosófico. Apesar do rio não estar para peixe, eles ainda ficariam aproveitando a pescaria por um bom tempo, ou pelo menos enquanto o “mé” não acabasse.

Autor: Eriol.

Diversão Garantida

Como promessa é dívida, hoje apresentarei a primeira história da fantástica dupla Getulio e Chico pé-pé. Personagens que criei com intuito de prestigiar o folclore e o regionalismo brasileiro. Aproveitem para se deliciar e rir muito com a imaginação fértil destes dois. Abraços.

É Onça ou Cegonha?

Em pleno fim de tarde, Getulio repousa despreocupado à sombra de um pé-de-cedro, nada melhor do que admirar o cerrado com seu cigarro de palha a fumegar. Só faltou uma moda de viola para deixar o momento ainda mais perfeito, mas por enquanto bastava a sinfonia dos pardais.
Ele sabia que esta tranqüilidade deixaria qualquer “doutor” da cidade grande morrendo de inveja. Mas de repente, este silêncio deu lugar a um grande alvoroço, era Chico pé-pé fugindo dos contínuos rasantes de um quero-quero enfurecido. Após muitas pernadas, Chico pé-pé conseguiu escapar do seu perseguidor e ao avistar Getulio decidiu ir tirar um dedo de prosa.
- Tarde, Getulio. – disse ainda se recompondo do ataque.
- Tarde, Chico. Quase que você dança companheiro. – falou Getulio apontando para o quero-quero que ainda olhava desconfiado.
- Quase, mas isso não é nada pra quem tá acostumado a correr de onça. – falou Chico pé-pé se promovendo.
Getulio conhecia bem o amigo e sabia que não era uma pessoa de contar vantagem. Por isso, se Chico pé-pé falou, é porque é verdade.
- O que você está fazendo aqui, meu amigo? – disse Chico.
- Descansando um pouco. – falou Getulio se espreguiçando.
- Não sei como você se cansa tanto sem trabalhar. – falou Chico pé-pé intrigado.
- Eu já te disse, Chico. Eu costumo pensar muito e isto cansa demais. – se defendeu Getulio.
Chico pé-pé sabia que o amigo não era preguiçoso, então se ele estava falando, é porque é verdade.
- No que você pensou hoje, Getulio? – Chico pé-pé era muito curioso.
- Na origem da vida. – Getulio tinha a resposta na ponta da língua.
- E como é isso? – perguntou Chico sem saber muito do assunto.
- Em minhas reflexões descobri que são as onças que trazem os bebês. – pronunciou de forma intelectual.
- Mas, eu ouvi que eram as cegonhas. – Chico pé-pé confiava no amigo, mas havia ficado na dúvida.
- Preste atenção que vou lhe explicar. Ouvi a Dona Tereza dizer ao filho que este nasceu depois dela conhecer um “gatinho”. Assim, percebi que ela usou a palavra “gatinho” para não assustar a criança. Porque de fato, só pode ter sido uma onça. – justificou brilhantemente Getulio.
- Entendo, mas deixa eu te contar. – disse Chico. – Eu também ouvi a Dona Lourdes falar para sua filha que foi um “passarinho” a causa de sua chegada. Assim, concluí que ela na verdade falava da cegonha. – Chico pé-pé também possuía fortes provas.
- Já sei como vamos tirar isso a limpo. – Getulio era um gênio. – Chico pé-pé, quando você corre das onças, elas carregam junto de si um bebê?
Chico pé-pé ficou a pensar, pois um de seus exercícios prediletos era correr das onças logo que acordava.
- Getulio, elas não trazem criança nenhuma. – falou convicto.
- Então, você tava certo. Eu me enganei, a origem da vida é com a chegada das cegonhas. – Getulio assumiu seu pequeno equívoco.
- Eu também acho, amigo. – Chico pé-pé sabia que até os gênios erravam.
O dedo de prosa havia sido longo e a noite já se aproximava.
- Bom, Getulio. Está anoitecendo, vou-me embora pra casa. – falou Chico em tom de despedida.
- Vou com você, Chico. – Getulio ponderou que realmente estava tarde.
- Ótimo, assim poderemos ir conversando. – Chico ficou feliz pela companhia do amigo.
Os dois pegaram a estrada de terra, agora só parariam quando chegassem ao lar.
- Getulio.
- Fala, Chico.
- Fiquei pensando, não tenho visto muitas cegonhas. Será que elas estão em greve?

Autor: Eriol.